segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Venezuela tirou do ar novela que fazia piada com o presidente Hugo Chávez

Outro programa foi censurado, porque havia cenas explícitas de beijos

O canal de TV privado da Venezuela, Televen, recentemente teve que tirar do ar duas de suas programações, atendendo a uma solicitação da Comissão Nacional de Telecomunicações daquele país (Conatel), no último dia 13.

A primeira foi a novela colombiana “Chepe Fortuna”, do canal RCN, na qual tinha uma personagem chamada “Venezuela”, uma secretária charlatã, vulgar e envolvida em delitos e que tinha um cachorrinho chamado “Huguito” (Huguinho), uma sátira explícita ao presidente Chávez. A cena exibida no dia 11 deste mês foi a gota d'água para que o governo censurasse a programação: contam à personagem, por telefone, que seu bichinho de estimação teria desaparecido, então ela se perguntou: 'O que será de Venezuela sem seu Huguinho?' E lhe responderam: 'será livre, Venezuela. Huguinho ultimamente vivia fazendo 'cacas' em todas as partes, se metendo na casa de todo mundo e te fazendo ficar mal'.

Em cenas posteriores (que não estão no primeiro vídeo abaixo), o personagem que avisou sobre o sumiço do cãozinho, ficou procurando-o para tomar um "traguinho", com uma garrafa de bebida na mão. Nas duas últimas vezes em que o bicho foi citado, o nome "Huguinho" foi cortado, inclusive no material da Conatel, semelhante ao que LEITURA SUBJETIVA teve acesso.

Em outros capítulos fazem piadas mandando “Venezuela” se calar, em alusão ao feito do rei da Espanha, Juan Carlos, num evento em 2007 que reuniu líderes ibero-americanos, no Chile.

Além disso, a personagem tem uma irmã, chamada “Colombia”, na qual teria uma relação complicada. A cena seria uma referência às passadas divergências entre os dois países, no ano passado, durante o governo de Álvaro Uribe, que acusou a vizinha Caracas de supostamente abrigar terroristas em território venezuelano. Na série, “Venezuela” teria pedido a irmã para lavar sua roupa, e esta lhe respondeu: 'Eu sempre limpando suas porcarias, Venezuela'.

Em outro momento da trama, “Venezuela” pediria suborno ao chefe para ocultar indícios de contrabando.

De acordo com a Conatel, a novela “promovia a intolerância racial, a xenofobia e a apologia ao delito”, e também denegria a imagem do país.

Imagem: Youtube/Televen/Reprodução

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Conjunto de cenas que fazem piada com o presidente venezuelano, Hugo Chávez.

O segundo conteúdo censurado foi o programa “12 Corações”, por supostamente exibir “obscenidades, simplificando a relação amorosa como mera genitalidade, ao expor homens e mulheres como mercadorias, onde as pessoas se beijavam sem ter nenhum vínculo afetivo”, justifica o órgão fiscalizador das comunicações.

Para a Conatel, a atração que mostrava pegação “deformava a consciência e sensibilidade” das crianças e dos adolescentes.

Imagem: Youtube/Televen/Reprodução

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Cenas das edições do programa "12 Corações"

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