sábado, 19 de março de 2011

Após se encontrar com Dilma, Obama seguiu para o Rio

Partido político recolhe assinaturas online para a liberação de manifestantes presos

O presidente norte-americano, Barack Obama, que se encontrou com a presidenta Dilma Rousseff, na manhã deste sábado (19/3), em Brasília, já chegou ao Rio de Janeiro, por volta das 20h.

Na capital federal, Obama passou em revista a tropa, em frente ao Palácio dos Três Poderes. Junto com a primeira dama, Michelle Obama, os dois líderes visitaram a exposição “Mulheres artistas e brasileiras”, no salão oeste do Palácio do Planalto. Os visitantes puderam conhecer uma das principais obras da cultura brasileira, o “Abaporu” (foto 1), de Tarsila do Amaral.

Imagem: Presidência do Brasil/Divulgação

Visitando a exposição "Mulheres artistas e brasileiras"
Os dois mandatários assinaram acordos nas áreas de economia, comércio, meio ambiente, educação, cultura, direitos humanos, tecnologia, inclusive espacial, segurança, entre outros. Nessa última, os Estados Unidos ajudarão o Brasil com os preparativos da Copa do Mundo (2014) e os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos (2016), devido a ampla experiência que eles têm na elaboração de eventos desse porte.

Temas como o Haiti e a inclusão brasileira no Conselho Permanente de Segurança das Nações Unidas também entraram na pauta das discussões. Aparentemente, o líder estrangeiro apoia a entrada do gigante sul-americano.

Os presidenciáveis participaram de uma reunião com empresários de ambos os países, no Itamaraty, onde também almoçaram e fizeram um brinde (foto 2) à memória de Martin Luther King. “Espero que Vossa Excelência [Obama] e sua família levem de Brasília e do Rio de Janeiro as melhores recordações deste país amigo. Os Estados Unidos e o Brasil são duas grandes nações com um futuro de amizade e cooperação à sua frente. Queremos construí-lo. Com esse espírito, proponho que ergamos um brinde ao sonho de Martin Luther King, o mesmo sonho de brasileiros e americanos. Sonho de Liberdade. Sonho de Esperança. E, presidente Obama, gostaria de acrescentar: Sonho de Harmonia e de Paz!”, disse a mandatária brasileira.

Imagem: Presidência do Brasil/Divulgação

Um brinde a Martin Luther King

Na “Cidade Maravilhosa”, o líder estadunidense desembarcou na base aérea do Galeão, na Ilha do Governador, e foi recebido pelo governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes. Obama quebrou o protocolo, convidando os dois anfitriões a lhe acompanharem até o helicóptero, que o levaria para um hotel, em Copacabana, zona sul da cidade.

O casal Obama trouxe as filhas Sasha e Malia. Do Brasil, ambos partirão para o Chile, e depois, El Salvador, onde concluirá este ciclo de viagens à América Latina.

Enquanto isso, no Rio...

Os cariocas foram pegos de surpresa com a notícia de que o discurso do presidente americano, nesse domingo (20), não seria mais feito em praça pública, na Cinelândia, no Centro, sendo então, transferido para o Teatro Municipal, que fica em frente.

O mandatário visitará o Cristo Redentor e comunidades “pacificadas” pelo Poder Público fluminense.

A última sexta-feira (18) foi marcada por protestos contra a visita do líder estrangeiro, resultando na prisão de 13 pessoas, entre elas um menor. Inclusive, um coquetel molotov teria sido lançado no consulado dos EUA, no Centro. Os homens teriam sido levados para a prisão em Água Santa, na zona norte, enquanto as mulheres, Bangu 8, no complexo penitenciário carioca. O adolescente ainda poderá ser conduzido ao Instituto Padre Severino. Por causa disso, o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU) entrou com um pedido para a liberação dos prisioneiros, o que foi negado pela Justiça, que alega que os mesmos representam uma ameaça à “ordem pública”, durante a estadia de Obama.

“O juiz alegou que, como a visita ainda não terminou, a liberdade poderia ameaçar o 'evento' e 'macular' a imagem do Brasil. É um argumento tão ridículo, que só mostra o quanto essa prisão é política. Parece haver uma ordem de só libertar o grupo depois que o Obama se for”, destacou o presidente regional do partido, Cyro Gomes.

O pedido de soltura teria sido assinado por parlamentares, como: o senador Lindberg Farias (PT), os deputados federais Chico Alencar, Jean Wyllys, do PSOL, e Stepan Nercessian (PPS), e os deputados estaduais Marcelo Freixo e Jandira Rocha, também do PSOL.

Em nota, o partido criticou as prisões e a forma como os manifestantes teriam sido abordados pela polícia (vídeo abaixo), visto que as pessoas têm liberdade para se expressarem, e afirmou não ter nada a ver com a bomba jogada no consulado, alegando que o movimento possuía fins pacíficos.

Imagem: Youtube/PSTU/Reprodução



Momento em que manifestantes são abordados pela polícia fluminense
Os manifestantes protestavam contra a ocupação do Iraque e Afeganistão por tropas americanas, e os recentes problemas na Líbia, além do acordo de livre comércio entre Brasil e Estados Unidos.

“Nós rejeitamos a presença de Obama, o novo senhor da guerra, no Brasil. Ele vem aqui para substituir a imagem desgastada do governo dos EUA pela figura de Bush. Vai querer se apropriar das reservas de petróleo do pré-sal que o governo Dilma já está lhe oferecendo. Vai querer avançar o “livre comércio”, que significa maior abertura para as multinacionais norte-americanas. Ou seja, vai cumprir exatamente a mesma pauta que Bush faria, só que agora com uma face mais 'simpática'”, declarou em nota o PSTU.

No momento, o partido está recolhendo assinaturas online para exigir a liberação dos 13 prisioneiros.

Leia também:

Embaixada americana faz preparativos para a chegada de Obama ao Brasil

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