segunda-feira, 23 de maio de 2011

Ex-presidente de Honduras, Manuel Zelaya, tem de volta seus direitos constitucionais

Acordo foi firmado na Colômbia e poderá servir de passaporte para o reingresso da nação centro-americana à OEA.

O atual presidente hondurenho, Porfírio Lobo, e seu antecessor, Manuel Zelaya, assinaram neste domingo (22/5), o “Acordo de Cartagena”, o qual devolve ao ex-mandatário seus direitos constitucionais, os quais haviam sido tirados após o golpe de estado ocorrido no país centro-americano. Com isso, Zelaya poderá regressar normalmente a Honduras como cidadão, pois não será processado por supostos crimes políticos. O acordo, firmado faltando pouco mais de um mês para completar dois anos do incidente, foi feito na cidade colombiana que dá nome ao mesmo, tendo o apoio dos governos da Colômbia e Venezuela. Desse modo, Tegucigalpa tem chance de voltar a fazer parte da Organização dos Estados Americanos (OEA), que a excluiu após o golpe.

“Hoje, damos um passo a mais para conseguir a paz e reconciliação da família hondurenha. Quero reiterar, como venho dizendo desde o início da minha gestão, que o ex-presidente Manuel Zelaya pode regressar a Honduras sem nenhum temor, será tratado com todo o respeito de um ex-presidente e com garantias de que nada vai lhe acontecer, e estar confiante que se cumpra com ele um trato digno para um ex-governante”, disse Porfírio Lobo.

O acordo também foi comemorado pela OEA, que informou já tê-lo recebido e que o apresentará ao Conselho Permanente da Instituição. Se Honduras for novamente incorporada à Organização, poderá normalizar suas relações diplomáticas com os países do bloco, entre eles, Brasil e Argentina. Anteriormente, Caracas estava na mesma posição que os dois governos mencionados por último.

Até a publicação desta notícia não havia posição oficial do Itamaraty sobre o tratado, uma vez que, o Brasil foi o primeiro país a retirar seu embaixador de Honduras, durante a gestão do presidente Lula. Com isso, outros líderes fizeram a mesma coisa. Em fevereiro passado, a presidenta Dilma Rousseff teria dito ao secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, que Brasília só reconheceria o novo governo hondurenho se os direitos políticos de Zelaya fossem respeitados.

Após o golpe militar ocorrido em 28 de junho de 2009, o país realizou novas eleições, dando vitória a Porfírio Lobo. Porém, desde então, somente os Estados Unidos, o Chile e a Colômbia haviam reconhecido-as.

A retirada forçada de Zelaya ao poder teria acontecido pelo temor que a população tinha, por causa da forte relação entre o então mandatário e seu homólogo venezuelano, quando o líder hondurenho tentou fazer um referendo para saber se poderia se candidatar novamente ao cargo, sendo considerado um crime contra a constituição local.

O ex-chefe de estado de Honduras buscou exílio na República Dominicana, depois de ter voltado ao país escondido e buscado asilo político na Embaixada do Brasil, na capital Tegucigalpa, criando um mal-estar maior entre o gigante sul-americano e seu país, por este haver cortado o fornecimento de energia, água e telefonia do escritório brasileiro.

Leia também:



Reações:

0 Leitor(es) opinou(aram) :

Postar um comentário

Seu comentário será publicado, logo que aprovado, conforme Política de Uso do site.

O LEITURA SUBJETIVA agradece o seu comentário.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

 
Web Statistics