sexta-feira, 22 de julho de 2011

Brasil vive uma onda de ‘cleptocracia’, diz presidente da OAB-BA

Advogado critica a corrupção no Brasil

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – regional Bahia (OAB-BA), Saul Quadros, disse, nesta quinta-feira (21/7), em um artigo intitulado ‘Diga não à cleptocracia no Brasil’, que o país estaria vivendo uma onda de ‘cleptocracia’. O mesmo teria sido publicado no diário baiano “A Tarde”, com republicação nos sites da OAB nacional e daquele estado, sendo destes dois últimos o discurso retirado por LEITURA SUBJETIVA aos seus leitores:

Leia o artigo na íntegra:

Diga não à cleptocracia no Brasil

“Tal como uma neoplasia maligna, o sistema democrático brasileiro vai sendo contaminado pela "cleptomania republicana". Uma vergonha para todos nós!”, destacou o advogado.

Segundo Caldas Aulette, "cleptomania" é a tendência irresistível para o roubo. É isso que estamos assistindo e tomando conhecimento, estarrecidos, desde o limiar do século XXI.

Mensalões em todos os níveis, operações policiais de identificação de corruptos e corruptores, denúncias de desfalques e desvios de verbas públicas, queda de ministros de estado e servidores de altos escalões, "fichas sujas" apodrecendo a representação do povo brasileiro, com os votos dos brasileiros, (!) e a leniência de quem devia, por dever e obrigação, excluí-los da vida política.

Não é possível conviver-se com este estado de coisas, com o "faz de conta" de que nada está acontecendo ou aconteceu e, por isso mesmo, ninguém é punido.

A corrupção, tal como a violência, também foi banalizada. Entrou para o rol comum das coisas. Passou-se a conviver com o cleptomaníaco dos recursos públicos nas altas rodas da sociedade brasileira como se ele fosse o símbolo e o herói do progresso, admirado e bajulado por muitos.

O processo de corrupção no Brasil espalhou-se por todo o território nacional. Organizou-se em núcleos poderosíssimos que se locupletam a fartar. O nível de apropriação (roubo) de recursos públicos chegou a níveis inimagináveis.

Não podemos mais conviver com isso. Basta!

É preciso instalar-se, no País, uma "faxina ética" em larga escala, doa em que doer.

Não há espaços para a corrupção e comportamento "cleptocrático" para o homem de bem, o jovem idealista, o empresário correto, o autêntico líder sindical, o político sério e o juiz honrado.

Tal como a "lei de Gerson", temos que afastar, de uma vez por todas, a regra daquele político cínico que outrora proclamou a necessidade de se instaurar a moralidade pública ou o locupletamento de todos.

Inexiste a alternativa proposta para quem é decente, para quem acredita no Brasil, para quem deseja realmente que o povo brasileiro saia da miséria em que vive ou da dependência das "esmolas públicas", também instrumento de corrupção política e eleitoral.

O trabalho é que enobrece o homem e a educação que resgata sua dignidade, independência e altivez.

Não podemos assistir a tudo como meros espectadores, sem reagir, sem nos indignar, sem adotar providências urgentes e imediatas, sob pena de também sermos atores coadjuvantes neste teatro que encena a peça mais indigna da história brasileira, o da corrupção nacional e da "Instituição do Sistema Cleptocrático na República Federativa do Brasil".

Onde estão os "caras-pintadas", que ajudaram a depor um Presidente da República, converteram-se em "caras-de-pau? E a gloriosa UNE [União Nacional dos Estudantes], trincheira da luta por um Estado democrático, honrado e transparente, o MST [Movimento dos Sem-Terra], gestado pelas Ligas Camponesas, da luta por uma reforma agrária que deveria beneficiar exclusivamente o homem do campo, ansioso por trabalho e pelo resgate da dignidade de sua comunidade, e as Centrais Sindicais, com as suas históricas mobilizações em defesa do direito do trabalhador e de uma república que pudesse honrar o sindicalismo brasileiro, que não vão à praça para protestar contra a corrupção?

Será que a luta contra a corrupção é uma "conspiração" contra a democracia e o Estado brasileiro?

Ao longo dos últimos anos "a sociedade brasileira ficou mais fraca, e o estado ficou mais forte; não foi ela que o tornou mais transparente; foi ele que a tornou mais opaca. Em vez de se aperfeiçoarem os mecanismos de controle desse estado, foi esse estado que encabrestou entidades da sociedade civil".

Ainda bem que restam muitas delas que não cederam e não cederão aos encantos do dinheiro fácil, dos favores das autoridades, dos benefícios imorais e vantagens ilícitas. Nem tudo está perdido no "reino da ex-colônia"!

Impõe-se um movimento nacional contra a corrupção e somente poderá liderá-lo as entidades civis de maior respeitabilidade e representação entre nós, a OAB, a ABI e a CNBB, além dos jovens, homens e mulheres que ainda acreditam no Brasil”.

A ‘lei de Gerson’ é uma expressão negativa para se referir a pessoas que querem tirar vantagem em tudo, de acordo com o site Wikipédia.

Os ‘caras pintadas’ foram um movimento estudantil contra a corrupção, no qual jovens pintaram o rosto com as cores verde e amarela, especialmente na época em que a sociedade brasileira exigia a saída do presidente Fernando Collor de Melo, em 1992.

Alguns pontos precisam ser ressaltados: um deles é a cobrança que o presidente da OAB-BA fez em relação a entidades que antes se manifestavam mais contra a corrupção, principalmente quando o país era governado por partidos de direita, e agora não sendo mais tão explícito o repúdio. O outro ponto é que o advogado afirmou que três representações da sociedade civil possuem “maior respeitabilidade”: a própria OAB da qual faz parte, além da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a primeira representando a justiça, a segunda, a liberdade de expressão, e a terceira, a religião.

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