terça-feira, 13 de setembro de 2011

MPF/SP denuncia bispo Macedo por lavagem de dinheiro e evasão de divisas

90 por cento das doações seriam enviadas a paraísos fiscais

As acusações

O Ministério Público Federal em São Paulo (MPF/SP) denunciou, nesta segunda-feira (12/9), o bispo Edir Macedo – líder da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) –, por supostos crimes de evasão de divisas, falsidade ideológica e estelionato contra os fiéis da instituição religiosa. E junto a outros três acusados, dirigentes da seita – o ex-deputado João Batista Ramos da Silva, o bispo Paulo Roberto Gomes da Conceição e a diretora financeira Alba Maria da Costa –, o suposto crime de formação de quadrilha para lavar dinheiro da Iurd, enviados ilegalmente do Brasil para os Estados Unidos, entre 1999 e 2005. As denúncias estariam baseadas na Convenção de Palermo, ratificada pelo Brasil em 2004.

De acordo com o Ministério, os denunciados supostamente teriam participado de um “esquema milionário e escuso de envios de dinheiro para o exterior”, criando empresas de fachada para lavar dinheiro, utilizando-o para adquirir meios de comunicação.

Para o MPF/SP, a instituição praticava estelionato contra os fiéis para conseguir dinheiro, com o “oferecimento de falsas promessas e ameaças de que o socorro espiritual e econômico somente alcançaria aqueles que se sacrificassem economicamente pela Igreja”.

Entre 2003 a 2006, a Igreja teria declarado ao Fisco o recebimento de cerca de R$ 5 bilhões em doações. No entanto, testemunhas alegaram que a cifra poderia ser muito maior. A seita possui imunidade tributária.

Já o crime de falsidade ideológica – do qual os quatro são acusados – se deve a supostas inserções de sócios em empresas ligadas à Iurd, para ocultar que esta era a verdadeira proprietária.

A Justiça também se baseou numa declaração lavrada em cartório do ex-diretor da seita e ex-vereador na Cidade do Rio de Janeiro, Waldir Abrão, no dia 18 de novembro de 2009, seis dias antes de sua morte, que nunca teria sido esclarecida. O político foi encontrado no prédio onde vivia, com um ferimento na cabeça, sendo então levado para o Hospital Souza Aguiar, noticiou a Folha de São Paulo naquela ocasião.

A criação de empresas em paraísos fiscais

Segundo Abrão, entre 1991 e 1992, a igreja de Edir Macedo teria criado duas empresas em dois paraísos fiscais: a Investholding, com sede nas Ilhas Cayman (Caribe), e a Cableinvest, em Jersey, uma ilha britânica na Europa.

Todo o dinheiro arrecadado dos fiéis era entregado à tesouraria da Iurd, que supostamente só depositava dez por cento do recebido na conta da instituição. E os 90 por centos restantes, mandados para o Uruguai e outros paraísos fiscais, por meio de doleiros. Então, a moeda brasileira era convertida em dólar em contas nos Estados Unidos – Nova Iorque e Miami – e Uruguai (Montevidéu). Sendo, lavado e trazido de volta ao país, reconvertido na moeda brasileira.

A Investholding e a Cableinvest teriam se tornado acionistas, no Brasil, das empresas Cremo e Unimetro. No mesmo prédio funcionaria o Banco Metropolitano. Depois, este se converteria na Credinvest Facility, por determinação do Banco Central.

Ao longo dos anos, pastores e diretores da Igreja Universal teriam assumido cargos de direção na Cremo. E um destes, João Batista Ramos da Silva, teria sido flagrado com R$ 10 milhões, em espécie, em Brasília, quando se preparava para embarcar para São Paulo. E outro ex-executivo da Cremo, Paulo Roberto, também denunciado, teria sido processado por supostos crimes contra o sistema financeiro, sendo, então, inabilitado pelo Banco Central (Bacen), por causa de sua gestão junto ao Banco Metropolitano, acrescentou o MPF/SP, com base nas declarações do ex-vereador falecido, Waldir Abrão.

Já, na Unimetro, uma das diretoras – Alba Maria –, também sob acusação, teria sido inabilitada pelo BACEN, por supostas irregularidades em sua gestão junto ao Banco Metropolitano. Uma coisa que chamou a atenção do Ministério Público Federal paulistano é que, mesmo assim, ela teria sido nomeada diretora financeira da TV Record.

O esquema seria anterior a 1998, disse MPF/SP

O suposto esquema de lavagem de dinheiro seria anterior a 1998. Entre 1993 a 2005, as remessas de doações teria ocorrido por meio da Diskline, uma empresa de câmbio e turismo, com sede em São Paulo e filial no Rio de Janeiro.

A Iurd, supostamente, alugava cofres em agências bancárias vizinhas às casas de câmbio. O dinheiro seria protegido por seguranças “armados” da seita, quando fossem levados aos bancos.

Advogados de defesa alegaram que acusações seriam antigas e inverídicas

Em matéria publicada no R7 – portal da emissora do bispo Edir Macedo – ontem (12), o advogado de defesa da Iurd, Antonio Sérgio Morais Pitombo, teria dito que as acusações são antigas, vendo nisso um “assunto requentado” para produzir efeito midiático. Já a advogada Denise Vaz – colega de trabalho de Pitombo – alegou que as declarações do MPF teriam sido consideradas “inverídicas” em ocasiões anteriores.

Leia também:

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