quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Equador denuncia ameaça de Reino Unido retirar à força jornalista do Wikileaks

Julian Assange teme ser levado para os Estados Unidos e receber pena de morte por ter revelado dados sigilosos desse governo

Imagem: Free Assange/Reprodução

Depois que o jornal britânico “The Guardian” publicou que o governo equatoriano teria concedido asilo político ao jornalista do Wikileaks, Julian Assange (foto), na última terça-feira (14/8), as autoridades inglesas enviaram um ultimato à nação sul-americana, dizendo que poderiam retirá-lo à força, em obediência à decisão da Justiça que concordou extraditá-lo para a Suécia, denunciou o Ministério das Relações do Equador, nesta quarta-feira (15).

Para o ministro sul-americano, Ricardo Patiño, a posição assumida pelo Reino Unido seria “inadmissível tanto do ponto de vista político quanto jurídico” e considerou o ato “hostil e inamistoso” e que o mesmo violaria leis de direito internacional. “A entrada não autorizada de qualquer autoridade britânica à Embaixada do Equador seria uma violação flagrante do Artigo 22 da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, assim como o Artigo 2.4 da Carta das Nações Unidas que proíbe expressamente aos Estados o uso da força e ameaça do uso de força (...)”, ressaltou.

Devido à suposta ameaça, o Equador informou que convocaria o Conselho de Chanceleres da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) e solicitaria uma Assembléia Extraordinária à Organização dos Estados Americanos (OEA).

No entanto, o presidente sul-americano Rafael Correa negou que já tivesse concedido asilo ao ativista australiano, conforme publicou o diário inglês. E que a resposta só seria dada na quinta-feira (16), depois do encerramento dos Jogos Olímpicos de 2012 na capital londrina.

Assange pede asilo político à Embaixada do Equador

Julian Assange fugiu de sua prisão domiciliar e pediu proteção na Embaixada do Equador, no Reino Unido, no último dia 19 de junho. Desde então, até sua mãe Christine Assange teria ido a Quito agradecer o apoio dado, e contou que não existem acusações formais contra o filho nem na terra da rainha tampouco na Suécia, onde está sendo investigado por supostos delitos sexuais. O temor da família e do próprio jornalista é de que ele acabe sendo extraditado para os Estados Unidos, onde poderia enfrentar um julgamento e receber a pena de morte.

Sobre a crise

Em 2010, por exemplo, o site Wikileaks divulgou mais de 250 mil documentos que supostamente denunciariam o maior escândalo do governo norte-americano como a Guerra no Iraque, a tentativa de fazer com que o líder venezuelano, Hugo Chávez, fosse visto como um “louco”, além de espionagem a chefes de Estado, entre outras coisas. Tais divulgações afetaram em parte a relação entre os estadunidenses e outros países, como o próprio Equador, que em determinada ocasião chegou a expulsar de seu território uma embaixadora, em 2011, tendo recebido na mesma moeda.

O portal do Wikileaks foi censurado. E em apoio mundial, internautas criaram páginas espelhos para que as publicações continuassem sendo divulgadas. No Brasil, por exemplo, teve o apoio do Partido Socialista Brasileiro (PSB) e da revista Carta Capital, que adquiriu direitos de publicação.

Como forma de sufocar a sobrevivência do portal de denúncias, contas no Visa, MasterCard e PayPal teriam sido suspensas, para que não pudesse mais receber doações.

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