domingo, 14 de outubro de 2012

Favelas do Complexo de Manguinhos são ocupadas para instalação de futura UPP

Imóveis construídos pelo PAC estariam sendo usados por bandidos

Imagem: Seseg / Marino Azevedo / 
Reprodução / Creative Commons

As Forças de Segurança do Estado do Rio de Janeiro começaram a operação de ocupação das favelas do Complexo de Manguinhos, na zona norte do Rio de Janeiro, às 5h da manhã deste domingo (14/10), para futuramente instalar a 29ª Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). As áreas retomadas foram: Manguinhos, Mandela, Jacarezinho e Varginha. Em apenas 20 minutos, o local já estava sob o controle do Poder Público. Prova é que, já até hastearam as bandeiras do Brasil e do estado (foto 1).

A operação

Imagem: Seseg / Marino Azevedo / 
Reprodução / Creative Commons
Um pouco depois da meia-noite de hoje (14), algumas importantes trechos de vias de acesso às comunidades foram bloqueados, tais como: a Avenida Dom Helder Câmara, na altura das Avenidas Ademar Bebiano e Leopoldo Bulhões, entre os bairros de Manguinhos e Benfica; além das duas avenidas citadas. Já por volta do meio-dia, os acessos começam a ser liberados, segundo o Centro de Operações da Prefeitura carioca.

Ao todo, cerca de dois mil homens teriam participado da operação, sendo que 900 deles de forma direta na ocupação (fotos 2 e 3). As Forças de Segurança eram das Polícias Civil, Militar e Rodoviária Federal, do Exército e da Marinha. Em apenas 20 minutos de ocupação, o local já estava sob o controle das autoridades, já que não encontraram resistência por parte de marginais, segundo a Secretaria de Segurança Pública fluminense (Seseg).

465 policiais civis – do total de dois mil – teriam atuado na operação, sendo que 165 deles numa operação no Jacarezinho com o apoio de dois helicópteros. Os agentes fazem parte da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), da Polinter e de delegacias especializadas.

A operação também contou com outros 400 policiais militares – do total de dois mil – em outras comunidades da zona norte e oeste e na Baixada Fluminense, na busca de armas, drogas e criminosos. Três helicópteros da PM e 11 veículos blindados foram utilizados.

A Polícia Rodoviária Federal colaborou com um helicóptero com 100 agentes na área da inteligência da operação.

Já a Marinha apoiou com o envio de 177 fuzileiros navais (16 oficiais e 161 praças), além de 13 blindados.

Durante a retomada, as Forças de Segurança também destruíram barricadas colocadas por traficantes, que impediam o acesso da polícia nas localidades.

Apreensões

Imagem: Seseg / Marino Azevedo / 
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Durante os últimos dias que antecederam a retomada das comunidades, as Forças de Segurança realizaram operações de busca e apreensão em várias localidades dominadas pela mesma facção criminosa de Manguinhos, no intuito de evitar fugas.

No Jacarezinho, um suspeito foi detido e um menor, apreendido. Além de mil cápsulas, 30 quilos de cocaína e 230 munições de nove milímetro e 21 veículos. Outros três carros teriam sido recuperados. 

Já nas favelas de Antares, Chapadão e Juramento, 33 suspeitos foram detidos. 14 pistolas, três fuzis, cinco granadas, dois revólveres, uma metralhadora e uma escopeta teriam sido apreendidos. Além de 2.545 pedras e 1.174 gramas de crack; 86 frascos de cheirinho da loló; 9.373 pedras, 720 sacolés, 7.866 cápsulas e 40 quilos de cocaína; e 10.954 trouxinhas, 51 tabletes e 4 kg de maconha.

E na Nova Holanda, dois suspeitos foram presos. Também foram apreendidos: 32 noteiros, 27 placas de computador, quatro máquinas caça-níqueis, uma pistola e carregadores.

Instalação das UPPs

Até dezembro deste ano, uma UPP será instalada na comunidade de Manguinhos. E outra, até janeiro de 2013 no Jacarezinho. Afirmou o governador Sérgio Cabral, neste domingo (14), no Quartel General da PM.

Trabalho social

Logo após à ocupação no Complexo de Manguinhos, conhecido por sua “cracolândia”, 15 crianças e adolescentes teriam sido recolhidos por agentes da Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS). “A partir de agora, nossas equipes poderão realizar um trabalho mais profundo e metódico para atender os moradores e dependentes químicos naquelas comunidades. Nos próximos dias também faremos ações em áreas já mapeadas, para onde os usuários de drogas poderão migrar”, disse a secretária Fátima Nascimento.

Desde março do ano passado, 102 ações de recuperação a jovens vítimas das drogas teriam sido feitas naquela região.

A Comlurb – concessionária da Prefeitura que recolhe o lixo – está realizando uma operação de limpeza, com o envio de 50 garis distribuídos nas favelas, 10 caminhões e três pás mecânicas. A previsão é de que sejam recolhidos 100 toneladas de lixo nos próximos três dias de trabalho.

Denúncias

Dos mil e 700 apartamentos construídos durante o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) – do governo federal em parceria com os estados – pelo menos 15 estariam sob o uso do tráfico. Mas, o número poderia chegar a 90, disse o governador fluminense. Famílias teriam sido retiradas de suas moradias. Uma investigação será feita a partir das denúncias já recebidas sobre isso.

A Secretaria de Segurança Pública pede o apoio dos moradores para denunciar o esconderijo de bandidos, de armas, drogas e objetos ilegais. Podem ligar para o Disque-Denúncia, telefone: (21) 2253-1177; para a PM, pelo 190; para o Batalhão de Operações Especiais (Bope), telefone: (21) 2334-3983; ou Batalhão de Choque, telefone: (21) 2332-8486.

Moradores também poderão denunciar a má conduta de policiais, entrando com contato com a Ouvidoria – telefone: (21)3399-1199 ou e-mail: ouvidoriadapolicia@proderj.rj.gov.br – e com a Corregedoria – telefone: (21) 2332-2341.

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