sábado, 19 de janeiro de 2013

Para ex-embaixador do Panamá na OEA, o Brasil não está nem aí para a crise que ocorre na Venezuela

Informação atualizada em 20/01/2013, à 1h32

Guillermo Cochez critica a omissão dos países da OEA sobre a suposta violação constitucional decorrida da ausência de Hugo Chávez em sua tomada de posse.

“(...) Tem países que por outras circunstâncias político-ideológicas, como é o caso do Brasil, que pelos negócios que tem na Venezuela, não quer alterar a relação que tem com a Venezuela. Pouco lhe importa se na Venezuela há democracia, há violação da Carta Democrática [da Organização dos Estados Americanos (OEA)], isso já não é importante, o importante é continuar fazendo negócio (...)”, essa foi a declaração do ex-embaixador panamenho junto à OEA, Guillermo Cochez, concedida recentemente ao canal de TV venezuelano “Globovisión”, em Washington, nos Estados Unidos, alguns dias após ser destituído do cargo pelo governo de seu país, por ter feito críticas à atual situação de Caracas, pelo descumprimento do Artigo 231 da Constituição local, que determinava que o presidente Hugo Chávez deveria ter tomado posse do novo mandato no último dia 10 de janeiro, e não o fez por estar se recuperando de uma nova cirurgia em Cuba. A lei da nação sul-americana não permite outra data isso.

Panamá e Canadá criticaram a suposta omissão da entidade continental, pela passividade de acatar a decisão do Congresso e da Justiça venezuelana a respeito da situação enfrentada no país, por aceitar que o mandatário poderia fazer o juramento ante a Assembleia Nacional (AN) em outra data. Na última quarta-feira (16/1), o Ministério de Relações Exteriores do Panamá desautorizou seu embaixador, alegando que ele “atuou sem consultar com a Chancelaria e de maneira improvisada elaborou proposições que distam muito de ser a posição do governo nacional”.  No dia seguinte (17), ele fez destituído do cargo.

Cochez falou que durante os 49 anos que exerceu sua função na organização hemisférica, que jamais teve de consultar o presidente. E disse também acreditar em uma suposta pressão das autoridades venezuelanas sobre o Panamá, por causa das declarações feitas.

O ex-embaixador centro-americano também comentou sobre uma suposta omissão ou cumplicidade de 14 países, principalmente por parte da Aliança Bolivariana de Nações (Alba), que receberiam ajuda financeira do governo de Hugo Chávez por meio dos “petrodólares”, entre eles: Cuba, Nicarágua, Uruguai e Argentina, além de alguns no Caribe. Disse que também que o governante estaria “seqüestrado” em Havana, pois somente o presidente Raul Castro saberia dele, já que nenhum dos visitantes que foram vê-lo sequer o viram ou conversaram com ele.

Guillermo Cochez afirmou que, apenas as nações que pensam diferente dos simpatizantes de Chávez são consideradas “intervencionistas” e “imperialistas”. E lembrou que o Paraguai – após a destituição do presidente Lugo pelo Congresso – aceitou uma missão da OEA para avaliar a situação do país. E quando Assunção sugeriu a mesma coisa para Caracas, foi criticado. A missão do bloco continental foi criada em novembro passado, e acompanhará as eleições que ocorrerão em abril deste 2013 na nação guarani.

O ex-embaixador panamenho também abordou de no Chile estar acontecendo atualmente uma suposta violação democrática. Contudo, não entrou em detalhes.

Negócios do Brasil com a Venezuela

Além da construção e operação de uma refinaria binacional (Petrobras e PDVSA), em Abreu e Lima (PE), que nunca saiu do papel, grandes construtoras brasileiras têm negócios em Caracas, como a Andrade Gutierrez, a Camargo Correa, a Odebretch e a Queiroz Galvão, por exemplo, que já teriam arrecadado em torno dos 20 bilhões de dólares (cerca de R$ 41 bilhões) em obras estatais.

Em 1999, as exportações para o país vizinho seriam de apenas 536 milhões de dólares (cerca de R$ 1 bilhão), enquanto que no ano passado chegaram a cinco bilhões de dólares (cerca de R$ 10 bilhões), publicou o portal inglês “BBC”.

Também em 2012, a Venezuela passou a ser membro do Mercado Comum do Sul (Mercosul).

O que pensa a oposição

Para a oposição, seria uma suposta violação constitucional, já que o artigo supramencionado determina que o presidente da AN deveria convocar novas eleições em 30 dias. Contudo, o representante do Congresso, Diosdado Cabello – ex-presidente da Comissão Nacional de Telecomunicações e presidente do Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV) – é chavista.

A direita venezuelana não aceita que Nicolás Maduro continue na Vice-Presidência, considerando que o mandato de Chávez teria expirado no último dia 10, reiniciando outro. Tampouco, acata a nomeação do ex-vice-presidente Elias Jaua para o cargo de chanceler esta semana, que tem a assinatura do mandatário, levando-se em conta que o mandatário não aparece em público desde o dia 11 de dezembro, e nem está no país, já se submeteu a uma nova cirurgia em Cuba contra o câncer que reapareceu na região pélvica, e durante o tratamento teve uma infecção pulmonar. Desde então não regressou à nação sul-americana.

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