quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Venezuela: Ex-vice-presidente se torna novo chanceler

Mesmo sem retornar de Cuba, Hugo Chávez teoricamente continua administrando o país à distância.

Imagem: Wikipedia / Reprodução /
Creative Commons
Depois de ter sido vice-presidente da Venezuela, de 2010 a 2012, durante o governo de Hugo Chávez, e perdido as eleições do ano passado para governador do estado de Miranda, Elias Jaua Milano (foto) foi nomeado o novo ministro de Relações Exteriores, nesta terça-feira (15/1).

A Chancelaria era ocupada por Nicolás Maduro, quem passou a exercer em dupla função como vice-presidente desde a saída de Jaua. Desde que assumiu o cargo nas últimas horas, o novo ministro já teria recebido ligações de seus homólogos brasileiro, Antonio Patriota, e equatoriano, Ricardo Patiño, que o felicitaram.

A nomeação teria a assinatura do próprio mandatário, o que causou surpresa à população, pelo fato de Chávez não fazer aparição pública desde o último dia 11 de dezembro, quando teve que fazer uma nova cirurgia, em Cuba, para o câncer que teria aparecido na região pélvica. Desde aquela data, o governante não voltou da ilha caribenha, tampouco aparece para tomar posse no último dia 10 de janeiro, conforme determina o Artigo 231 da Constituição daquele país. Sabe-se apenas, por meio de notas oficiais, que ele estaria se recuperando de uma forte infecção pulmonar contraída durante o tratamento.

Elias Jaua perdeu na última eleição, em dezembro, para o principal rival de Chávez na campanha presidencial do dia 7 de outubro, Henrique Capriles. Este foi reeleito a governador.

Enquanto isso, na Venezuela...

O clima está tenso, principalmente por parte da oposição – a direita –, que não aceita a sentença proferida pelo Tribunal Superior de Justiça (TSJ), de que o juramento que Hugo Chávez teria de ter feito junto à Assembleia Nacional (AN), no último dia 10, não passaria de uma mera formalidade, e que a ele não teria tanta importância, pelo fato de o governo não ter sido interrompido. Portanto, sob o ponto de vista do Judiciário, o mandatário poderia se apresentar em outra data. As leis venezuelanas determinam nova eleição, que deveria ser convocada pela AN, no caso de o chefe de Estado não poder assumir.

Mesmo não tendo comparecido, houve uma cerimônia em apoio a Chávez, com a participação dos presidentes da Bolívia, Evo Morales, e do Uruguai, José Mujica. Pelo fato de este último ter se manifestado em ato de defesa ao homólogo venezuelano, o Parlamento uruguaio está convocando o chanceler local para prestar satisfações pela atitude de Mujica, quem não deveria ter se intrometido em assuntos internos de outros países.

A direita política venezuelana quer que o presidente apareça, para que se possa comprovar seu verdadeiro estado de saúde, e está convocando um grande protesto para o próximo dia 23. Para medir forças, a esquerda também resolveu marcar outro evento na mesma data.

Para os críticos do governo, a nova capital da Venezuela seria Havana – em Cuba –, não mais Caracas. Outras sátiras já foram feitas com a atuação situação política do país.

Recentemente, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, foi criticado por causa da postura assumida de acatar a decisão do TSJ. Contudo, Panamá e Canadá se posicionaram, exigindo que a entidade não ignore a “potencial violação” de sua Carta Democrática sobre a situação de Caracas, publicou o diário local “Tal Cual”. O embaixador caraquenho ante a essa Organização, Roy Chaderton, fez criticas ao colega panamenho, Guillermo Cochez, por estar aliado à direita numa suposta tentativa de desestabilizar o país.

Para completar, o canal de TV “Globovisión”, principal opositor chavista, está envolvido num processo administrativo promovido pela Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel), por ter divulgado com ênfase o Artigo 231 da Constituição com imagens que Chávez aparece fazendo um juramento constitucional. Para o ente que fiscaliza os meios de comunicação, a emissora, supostamente, divulgou mensagens que “incitam ao ódio, a intranqüilidade e a alteração da ordem pública”, proibindo que as mesmas fossem novamente transmitidas. A censura foi criticada pela Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP, sigla em espanhol).

Sobre o reaparecimento da doença

Em dezembro passado, o líder sul-americano pediu permissão ao Congresso para se ausentar por alguns dias, para realizar um tratamento de oxigenação hiperbárica em Cuba. Foi então que os médicos lhe detectaram o reaparecimento da enfermidade, tendo retornado à Caracas para informar à população do problema e dois dias depois, voltando à ilha dos irmãos Castro.

Antes de fazer essa última operação, o presidente Hugo Chávez disse em cadeia nacional que se algo o acontecesse, impossibilitando de assumir o cargo, que em uma nova disputa eleitoral votassem em Nicolás Maduro.

A doença foi descoberta em junho de 2011, contudo nunca foi divulgada a parte exata do corpo.



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