quarta-feira, 13 de março de 2013

Por falta de pagamento, professores de duas instituições de ensino superior privadas estão em greve

A greve é parcial e atinge a UGF e a UniverCidade; nesta é a segunda vez que acontece, desde que foi para as mãos do grupo Galileo Educacional.

Duas das maiores instituições de ensino superior (IES) privadas do Rio de Janeiro, a Universidade Gama Filho (UGF) e a UniverCidade – ambas geridas pelo grupo Galileo Educacional – estão em greve parcial desde a última segunda-feira (11/3). Os professores protestam o não recebimento dos salários de janeiro e fevereiro deste ano mais os 33 por cento das férias de 2013, que deveriam ter sido depositados também em janeiro. 

Em assembleia realizada na noite desta quarta-feira (13), no campus da Piedade, os da UGF aprovaram por unanimidade mantê-la, enquanto os da UniverCidade decidirão amanhã (14) se a prorroga ou não em um evento semelhante no sindicato da categoria (Sinpro-Rio). Os próximos passos ainda não foram divulgados por parte dos docentes da Gama Filho.

Essa é a segunda greve da UniverCidade desde que foi comprada pelo grupo gestor. A primeira ocorreu entre abril e maio do ano passado e durou mais de 40 dias. Já no caso da UGF, é a primeira greve. Em 2012, os professores desta estavam recebendo em dia. Poucas aulas foram afetadas, apenas para os profissionais que recebiam na folha da UniverCidade, mas prestavam serviço na Gama Filho.

Outros problemas atingem o grupo Galileo Educacional – que foi adquirido no final de outubro passado pelo empresário e reverendo Adenor Gonçalves dos Santos, ligado à Aliança Batista –, tais como: a não regularização do convênio com a Santa Casa da Misericórdia, que não está sendo pago desde o meado de 2011, para que os estudantes de Medicina da Gama Filho pudessem exercer o internato; as férias de 2012 para os profissionais das duas IES também não foram pagas; os da UniverCidade, por exemplo, não receberam o 13° salário de 2007 nem tem seus fundos de garantia (FGTS) depositados desde 2003, de acordo com o site “Opinólogo”, do mesmo jornalista de LEITURA SUBJETIVA.

O salário de dezembro de 2012, por exemplo, chegou a ser pago em duas parcelas: uma no dia 7 de fevereiro, a outra no dia 5 de março.

Antes de ser repassado ao pastor, o grupo Galileo Educacional era controlado pelo empresário Márcio André Mendes Costa, que ficou como principal acionista por mais de um ano, tendo adquirido a UGF da família Gama Filho, e a UniverCidade, do empresário Ronald Levinsohn.

De agosto do ano passado até o início de março agora, esteve aberta uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), promovida pelos deputados Paulo Ramos (PDT-RJ) e Robson Leite (PT-RJ), presidente e relator, nessa ordem, na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), para apurar possíveis e supostas irregularidades em IES privadas no estado fluminense. Durante todo esse período, os empresários Márcio André e Adenor dos Santos foram convocados pelo menos duas vezes, no entanto, nunca compareceram em alguma audiência. Exceto, o atual presidente da mantenedora, Alex Klyemann Bezerra Porto de Farias. Representantes de outras instituições de ensino, como das universidades Santa Úrsula, da Cândido Mendes (UCAM) e da Suesc também depuseram na Comissão, já que problemas financeiros afetam várias delas. As dívidas do grupo Galileo Educacional, por exemplo, chegariam a R$ 900 milhões, contando com uma receita de apenas R$ 11 milhões, segundo o presidente da gestora, Alex Farias, no mês passado.

Recentemente, os estudantes de Medicina da Gama Filho entregaram um dossiê ao senador Alvaro Dias (PSDB-PR), contando as supostas irregularidades porque passam. Essa teria sido uma das formas encontradas para fazer com que o Ministério da Educação (MEC) pudesse se pronunciar sobre a questão, que não foi feita até o momento.

Quando houve uma paralisação, que antecedeu à greve em 2012, uma assessoria de imprensa contratada pelo grupo Galileo Educacional chegou a enviar nota, dizendo que os problemas seriam solucionados em até 72 horas. Porém se prorrogaram até então. Também naquela época, os docentes já reclamavam de atrasos salariais, enquanto os alunos, do aumento surpresa nas mensalidades, chegando a 25 por cento em alguns casos, além dos problemas de manutenção de equipamentos como elevadores etc. Tempo depois, o reajuste foi suspenso por ordem da Justiça carioca.

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