terça-feira, 5 de março de 2013

Venezuela: o câncer vence Hugo Chávez

País decreta sete dias de luto; velório ocorre de quarta a sexta-feira.

Imagem: MINCI / Reprodução

Uma de suas posses ao lado da família

O presidente da Venezuela, Hugo Rafael Chávez Frías – mais conhecido por Hugo Chávez –, de 58 anos, perdeu a batalha contra o câncer na região pélvica, às 16h25 locais (17h55 em Brasília) desta terça-feira (5/3), disse o vice-presidente Nicolás Maduro em rede nacional (vídeo).

Vídeo: MINCI / You Tube / Reprodução


Maduro – que também foi chanceler – comentou que suspeita de que a doença de Chávez tenha sido ‘introduzida’, inclusive citando que o ex-chefe palestino Yaser Arafat também teria sido uma suposta vítima de um caso semelhante. Nesta terça-feira (5), as autoridades venezuelanas expulsaram do país um militar estadunidense, que foi acusado de supostamente conspirar contra a nação sulamericana, publicou o diário local “El Universal”.

A data do falecimento do líder latinoamericano coincide com a de Lina Ron, em 2011, uma fanática militante chavista, que em determinada ocasião invadiu as instalações da “Globovisión”, canal de oposição ao governo. 

De acordo com o ex-embaixador panamenho ante a Organização dos Estados Americanos (OEA), Guillermo Cochez, em entrevista ao canal colombiano “NTN24”, na última quinta-feira (28/2), o líder sulamericano teria morte cerebral desde o dia 30 de dezembro passado, quando ainda estava em Cuba, e que mesmo assim foi trasladado a Venezuela em tais condições, no último dia 18. O diplomata ainda chegou a provocar o governo caraquenho a negar o que ele afirmava.

Desde que voltou da ilha dos irmãos Castro no mês passado, após submeter-se à quarta cirurgia, o mandatário ficou internado no Hospital Militar Carlos Arvelo, na capital Caracas, para continuar o tratamento, inclusive da infecção respiratória que contraiu durante os mais de dois meses em Havana. Devido ao problema respiratório, os médicos lhe puseram uma cânula na traquéia, um tipo de tubo.

O reaparecimento da doença foi detectado em dezembro passado, quando o chefe de Estado viajou à ilha centroamericana para realizar um tratamento de oxigenação hiperbárica.

O câncer foi descoberto em junho de 2011, depois de sentir dores na região pélvica, enquanto estava em Cuba, tendo sido internado às pressas. Na ocasião, ele fazia um giro por alguns países da América Latina, que incluía o Equador e o Brasil. Na época, a presidenta Dilma Rousseff o tinha convidado a se tratar em São Paulo, no Hospital Sírio-Libanês, contudo ele optou por Cuba.

Dentre os líderes latinos que tiveram câncer nos últimos anos, Hugo Chávez foi o único que não resistiu. No Brasil, Dilma Rousseff e Lula já tiveram a doença; na Argentina, Cristina Kirchner; e no Paraguai, o ex-presidente Fernando Lugo.

Luto

O país está de luto oficial por sete dias. Até a próxima sexta-feira (8), as atividades acadêmicas em instituições públicas e privadas estão suspensas. A partir de amanhã começa o velório na Academia Militar de Caracas, para que a população faça sua última homenagem. E às 10h locais (11h30 no Brasil) da sexta-feira (8), ocorrerá uma cerimônia oficial com chefes de Estado, segundo a “Globovisión”.

Repercussão

A presidenta Dilma Rousseff lamentou a morte de seu homólogo, classificando-a uma ‘perda irreparável’, durante um congresso de trabalhadores rurais, em Brasília. Também acrescentou que com isso, ele deixa um ‘vazio’ à América Latina. “Morreu um grande latinoamericano, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez Frias. Essa morte deve encher de tristeza todos os latinoamericanos e centroamericanos. O presidente Chávez foi, sem dúvida, uma liderança comprometida com o seu país e com o desenvolvimento dos povos da América Latina. Em muitas ocasiões, o governo brasileiro não concordou integralmente com o presidente Hugo Chávez. Porém, hoje, como sempre, nós reconhecemos nele uma grande liderança, uma perda irreparável e, sobretudo, um amigo do Brasil. Um amigo do povo brasileiro”, expressou.

No Congresso, o senador Renan Calheiros pediu um minuto de silêncio em homenagem ao líder sulamericano e disse que ele era um ‘amigo do Brasil’.

O Partido dos Trabalhadores e o ex-presidente Lula também divulgaram notas de pesar. “Tenho orgulho de ter convivido e trabalhado com ele pela integração da América Latina e por um mundo mais justo. Eu me solidarizo com o povo venezuelano, com os familiares e correligionários de Chávez, neste dia tão triste, mas tenho a confiança de que seu exemplo de amor à pátria e sua dedicação à causa dos menos favorecidos continuarão iluminando o futuro da Venezuela”, manifestou o político petista.

O governo equatoriano divulgou nota, também afirmando o falecimento uma “perda irreparável”, nas palavras do chanceler Ricardo Patiño.

Já a ministra de Relações Exteriores da Colômbia, María Ângela Holguín, quem disse estar numa ‘profunda tristeza’, destacou a boa relação que os dois países estavam mantendo. Isso teria sido uma comparação com a atual gestão de Juan Manuel Santos com a anterior, de Álvaro Uribe, na qual houve conflitos entre este ex-presidente e o governo chavista.

O óbito está tendo ampla repercussão também no twitter por meio das hashtags #Venezuela e #MuerteChávez (em português seria: MorteChavéz).

Logo depois de participar de uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU), o secretário-geral Ban Ki-moon lamentou o fato, e disse que emitiria em breve um comunicado mais formal sobre isso.

Para o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, “é um momento de grande dor para os venezuelanos”.

O principal partido de oposição venezuelano, o Movimento Unidad Venezuela (MUD) divulgou uma nota de condolências e disse que o momento era de ‘respeito’ e ‘responsabilidade’ e que compreendia a dor de seus compatriotas.

Imagem: Globovisión / Reprodução
Logo após as autoridades venezuelanas anunciarem o ocorrido, alguns sites da imprensa local estavam com dificuldades de acesso. Às 18h56, por exemplo, LEITURA SUBJETIVA não estava conseguindo visitar o portal da “Globovision” – canal de TV de oposição – nem do diário “El Universal”. No primeiro apareceu uma mensagem (foto 2), informando o elevado tráfego e recomendando aos usuários que retornassem em alguns minutos. Já no segundo, a página nem se abria.

Posse

Chávez nunca oficializou a posse do seu terceiro mandato, que deveria ter acontecido no último dia 10 de janeiro – conforme determinado pela Constituição – A cerimônia de juramento tinha sido adiada por tempo indeterminado pelo Tribunal Superior de Justiça (TSJ) em comum acordo com a Assembleia Nacional (AN). Ele foi reeleito em eleição antecipada no último dia 7 de outubro com 54,42% dos votos.

Hugo Chávez assumiu o cargo pela primeira vez em 1999 e pretendia permanecer nele até 2031.

Algumas marcas do Chavismo

Os 14 anos da Revolução Boliviariana de Hugo Chávez no poder foram marcados por supostas censuras à imprensa, com o fechamento de mais de 200 emissoras de rádio e/ou televisão, entre elas a “RCTV”, em 2007, além da perseguição à “Globovisión”, que se mantém firme.

Além da adesão da Venezuela ao Mercado Comum do Sul (Mercosul), em junho do ano passado, um de seus grandes legados é o canal estatal “Telesur”, o qual queria transformar numa espécie de CNN para a América Latina.

Chávez foi uma espécie de inspiração para o mundo socialista, especialmente a seus homólogos vizinhos: Rafael Correa (Equador), Evo Morales (Bogotá) e Cristina Kirchner (Argentina). Uma característica comum em ambos também são os conflitos com os meios de comunicação, inclusive com o objetivo de freá-los por meio de leis específicas.

Durante o tempo que esteve na Presidência, a relação com os Estados Unidos foi se deteriorando cada vez mais, tornando-se um dos principais opositores a Washington. Com a Colômbia foi restabelecida, quando Juan Manuel Santos tomou posse. Durante essa nova fase diplomática entre Caracas e Bogotá, Hugo Chávez intermediou as primeiras conversas entre o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) para um possível processo de paz.

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