quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Copa do Mundo: acidente no Itaquerão deixa dois mortos

Tragédia coincide com o Dia do Técnico em Segurança do Trabalho




Imagem: Agência Brasil / Marcelo Camargo /
Creative Commons
Justo nesta quarta-feira (27/11), data que se comemora o Dia do Técnico em Segurança do Trabalho, pelo menos dois operários morreram enquanto trabalhavam na obra da construção da Arena Corinthians, popularmente chamado de Itaquerão (fotos), em São Paulo. A informação preliminar e não oficial era de que fossem três mortos. Um guindaste, que levantava uma estrutura da cobertura do estádio, tombou, atingindo parcialmente a fachada em LED do prédio leste. O local está programado para ser a sede de abertura da Copa do Mundo de 2014 e de mais alguns jogos, em junho, e também será a nova sede do time. As duas vítimas foram: Fábio Luiz Pereira, de 42 anos, motorista/operador de Munck da empresa BHM, e Ronaldo Oliveira dos Santos, de 44 anos, montador da empresa Conecta. Em nota conjunta, o clube paulistano e a Odebrecht, empresa responsável pela obra, disseram lamentar o ocorrido.

“(...) Pouco antes das 13 horas, o guindaste, que içava o último módulo da estrutura da cobertura metálica do estádio, tombou provocando a queda da peça sobre parte da área de circulação do prédio leste – atingindo parcialmente a fachada em LED. A estrutura da arquibancada não foi comprometida. Era a 38ª vez que esse tipo de procedimento realizava-se na obra e uma peça de igual proporção foi instalada há pouco mais de uma semana no setor Sul do estádio. Equipes do corpo de bombeiros estão no local. No momento, todos os esforços estão concentrados para oferecer assistência total às famílias das vítimas”, explica o time.

Em nota, a Federação Internacional de Futebol e Atletismo (Fifa) e o Comitê Organizador Local (COL) também lamentaram a tragédia, e falaram que não estariam em posição de 'fazer comentários adicionais', por aguardarem mais detalhes sobre o caso. “(...) A segurança dos trabalhadores é de alta prioridade para a Fifa, o COL e o Governo Federal. Sabemos que a segurança de todos os trabalhadores tem sido sempre de suma importância para todas as companhias encarregadas da construção dos 12 estádios da Copa do Mundo da Fifa 2014”, declararam.

Ainda não há informações oficiais sobre o quanto isso poderia atrasar/prejudicar o cronograma de obras, tendo em vista que o estádio promoverá a abertura dos jogos.

MP vai investigar acidente

Imagem: Agência Brasil / Marcelo Camargo /
Creative Commons
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) informou que pretende apurar as causas do acidente, por meio da Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo da Capital. Esta já havia aberto um inquérito para investigar 'a construção da Arena Corinthians, tanto sob o aspecto da segurança da edificação quanto dos impactos no entorno'. O órgão disse que vai aguardar o laudo da Polícia Técnica para tomar as medidas cabíveis, entre elas, se necessário, a paralisação da obra.

Já estava programada para o início do próximo mês uma vistoria na obra pela Promotoria, devido a supostas irregularidades apontadas em um relatório do Corpo de Bombeiros, principalmente no que diz respeito ao projeto técnico de segurança contra incêndios.

Agressão a repórter

Mais cedo, o repórter Daniel Vasques, da 'Folha de São Paulo', contou ter sido supostamente agredido pelo ex-presidente do Corinthians, André Sanchez, seguranças e um funcionário da Odebrecht, e que teria sido intimidado por um suposto policial militar a apagar as fotos do acidente tiradas no celular. “Eles tentaram pegar o celular do repórter e deram socos para quebrá-lo. Operários da Odebrecht que trabalham na obra interviram para defender o repórter e quase foram agredidos também”, concluiu a reportagem.

Em mais uma nota publicada há pouco pelo time paulistano, Sanchez negou ter agredido o jornalista. “O repórter invadiu em uma área restrita, delimitada pelos bombeiros e policiais, para avaliar o acidente ocorrido na obra. Ele mentiu, dizendo que era funcionário da Odebrecht para ter acesso ao local e foi retirado. Eu não encostei nele em momento algum. Não houve agressão e tenho testemunhas dos policiais e funcionários que isso não aconteceu. É lamentável que durante um fato tão triste como o que aconteceu hoje existam pessoas que queiram se promover diante da fatalidade”, expressou.

Já a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) manifestou repúdio ao que considerou um 'novo episódio de violência contra a imprensa'. “(...) Ao agir dessa maneira, o ex-dirigente do Corinthians e o funcionário da Odebrecht atentam contra a liberdade de expressão e o direito à informação. Ao apoiá-los, o policial militar posiciona o Estado contra um direito fundamental do jornalista e da sociedade. Além de Daniel Vasques, que foi agredido, toda a sociedade sai prejudicada do episódio”, salientou.

Repercussão

O acidente já repercute dentro e fora do país. Lá fora, em jornais como: o argentino 'Clarin', o colombiano 'El Espectador', o espanhol 'El Mundo', a rede estadunidense 'CNN', entre outros.

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